Para onde?


Não importa que o mundo apite com força seus milhares de problemas. Sublimo. Qualquer tipo de crise? Sublimo. Subterfúgio. Tenho a capacidade de sonhar por sobre os muros da ignorância humana. Nos olhos alheios há um sentimento que é visto como sinônimo de fraqueza. Coitados! Deleito-me de sorrir daqueles que levam a sério um mundo cheio de banalidades. Dá-se de ombros. Não aceito o argumento fácil de que a vida é isso que me apresentam. Tenho um mundo escondido, lá onde só eu posso tocar. O meu mundo encantado onde paira o bem, aonde ainda não nos fora apresentado nenhum tipo de maldade. Se me jogam na cara o jornal com índices de um desastre econômico iminente, lhes apresento o meu sonho da noite passada. Foi tão bom. Sonhei que tava caindo, sabe? E daí veio aquele baque no corpo, como se a minha alma tivesse se deslocado temporariamente e voltado com tanta força. Passo a vista no horóscopo com uma xícara de café bem quente ao lado. Acabo dando um belo sorriso por dentro porque já comecei a sonhar que vivo de verdade sonhando. Bater o ponto e viver de imponderáveis ponderados. A cabeça vai balançando cheia de sonhos, da mesma maneira que o ônibus vem lotado de realidades, jogando pelo vidro a nossa capacidade de enxergar além do que nos apresentam. Dez pras nove. Cheguei atrasado. Fim do mês desconta do meu salário. Mas qual é mesmo o preço da felicidade?

obra de arte


Não dá pra voltar. E pra não deixar escapar o colorido que a vida apresenta, corro em busca do preto e branco das minhas fotos empoeiradas. Assopro com força e retiro a poeira do tempo. Ela sempre sorri de uma maneira contida, mas quando gargalha se expande. Aprendeu o sarcasmo um dia desses. Nos seus olhos há sempre o tom de uma palavra que está trancada. Alguma coisa que quer ser dita em algum momento propício. Mas não agora. Espere um pouco. Na janela desta alma só existe o presente e nada mais. O passado jaz nos escombros do hoje e no porvir que se anuncia. Avessa aos carinhos, mesmo sendo carinhosa. Da sua reserva pessoal se faz a parceria. Como os dedos das mãos que se fecham entrelaçadas pela firme união.

a beleza do Congresso

N'algum lugar

Vivendo



bebendo







Observando




Introspectando



Se perdendo


video

Um artista da fome

"_ Tinha desejado durante toda a minha vida que admirásseis minha resistência à fome - disse o jejuador.

_ E a admiramos - retrucou-lhe o inspetor.

_ Mas não devíeis admirá-la - disse o jejuador.

_ Bem, pois então não a admiraremos - retrucou o inspetor -; mas por que não devemos admirar-te?

_ Porque sou forçado a jejuar, não posso evitá-lo - disse o jejuador.

_ Isso já se vê - disse o inspetor - , mas por que não podes evitá-lo?

_ Porque - disse o artista da fome levantando um pouco a cabeça e falando na própria orelha do inspetor para que suas palavras não se perdessem, com lábios alargados como se fosse dar um beijo - , porque não pude encontrar comida que me agradasse."

FRANZ KAFKA

dizconhecer

Melhor mesmo é não saber. É assim que se inventa.

O Brasil é o país do futuro

Sem o intuito de levantar bandeira ou reivindicar melhores condições ao nosso povo, ou esbanjar um sentimento vago de uma bravata política-ideológica, algo Quixotesco nos dias atuais, esse, que por aqui desenha essas linhas mal traçadas, só queria entender o objetivo de uma Copa do Mundo nesse país.

Para aquelas pessoas que acham que o meu questionamento surge pelo simples fato de não gostar do esporte, digo que o amo. Participo de toda e qualquer discussão onde prevaleça a temática das quatro linhas. O futebol é algo extremamente político e um emaranhado cultural que esbanja diversos temas a serem abordados dentro de uma rodinha (tanto feminina quanto masculina!). Do tema surgem disputas legais, cruzamento de culturas, história política, geografia geopolítica, e tudo mais que possa engrandecer o humano em termos de cultura geral.

Mas o que não me desce é esse movimento pró Copa, que surge de uma elite endinheirada, que visa a alavancagem do financiamento internacional e a promessa de mais uma imagem fictícia criada para esse país. Numa camisa de força a massa de manobra se prende nesse conto do vigário, e continua a replicar o discurso simples e viciado de que os financiamentos ao país serão ótimos. É, só assim mesmo pra investirem na gente.
As questões que surgem em minha cabeça são simples: será que esse povo não merece metrô de superfície sem que exista um evento desse? Será que é preciso que os "gringos" vejam o que é feito por aqui, pra esse lugar parecer um paraíso? Sabemos que a Copa do Mundo não será feita para nós, mas sim para "inglês ver?” Não só ingleses, mas dinamarqueses, franceses, italianos, e todos os países que indicam os mecanismos baratos dos índices de confiabilidade do risco-país. Será que haverá um momento em que esse país fará alguma coisa por seu povo, sem precisar mostrar aos de fora? Será que os de fora sabem que por dentro o castelo está esfacelado, e que a Tinta Coral daqui já descascou há anos? Será que terão que aumentar os impostos para financiar as obras que serão abandonadas no ano seguinte, por falta de planejamento e por descaso ao público?

E para aqueles que acham que tudo isso é velho, digo que a bossa é velha. Além de ser ultrapassado esse nosso pensamento de ter naturalizado coisas que são inconcebíveis, e achar que faz parte do jogo. A nossa ignorância é tanta que a gente acha que faz parte do pacote. Ninguém percebeu que o fogo do circo não fazia parte do espetáculo, e o inferno se faz agora diante de nós. E o pior: o show só está começando. Façam suas apostas e comprem seus ingressos on-line porque o Brasil é o país do futuro!